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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

• Homens traem, querida. Você não quis ter um namorado? Azar o seu. Eu pensei. Na época. Época em que eu não namorava ninguém nem amarrada. Preferia essa vida mesmo. Os pesos mortos dormindo ao meu lado e eu controlando o mundo. E as histéricas querendo morrer em outro oceano. Ser a outra. Eu sempre fui a outra. Com a sensação maravilhosa de passar o mundo para trás. Eu nunca fui chata a minha vida inteira. Eu era a gostosinha da escola, gostosinha da rua, de qualquer lugar que eu fosse. (...) Ninguém nunca me largou. Quem larga uma mulher assim? Quem enjoa de uma mulher assim? Quem não fica louco por uma mulher assim? A parte chata, deixava para as outras. O meu papel era ser somente engraçada e carinhosa. Quem esquece uma mulher assim?
Era engraçado quando o telefone tocava, eles me olhavam com um cantinho de vontade de nunca mais sair de perto de alguém tão calma e feliz. A outra. As outras são sempre calmas e felizes. O lado bom da vida que não cobra, não dói. Só dá prazer. Sempre me diverti em festas,bares ou em qualquer lugar que eu fosse. Todo homem acompanhado por uma mulher se acabava de olhar para as outras mulheres. Para mim, inclusive. E eu provocava. E gostava de saber que morava do lado podre da moeda.Do lado que todo mundo teme. Eu gostava de estar do lado que todos morreriam pra saber. Na curva onde todo mundo derrapa.
Pobres coitadas todas as oficiais, se eu quiser, fizer direito, amanhã mesmo ele arruma uma desculpa esfarrapada,desliga o celular.E você? Seus carinhos, suas conversas sempre sobre a mesma coisa, a sua rotina, vão tudo pra casa do caralho. Porque o que eles querem, de verdade, pobres mulheres comprometidas, é qualquer coisa que não sejam vocês. Por isso, nada adianta, não é mesmo? Assim eu pensava. Naquela época. Época em que nenhum homem do mundo me achava chata ou louca ou mala ou enjoativa. E eu ria, ria delas, de todas elas. Seu namorado,seu amor, ficante fixo, qualquer coisa séria. Sabe ontem? A tarde? De manhã? A noite? Pois é, estava comigo ! E você acreditou mesmo que era ensaio, academia, dentista, futebol, bebidas com os amigos ? A outra. Que saudade dela. Foi embora.
Morreu sufocada por uma vontade maior que nasceu em mim. A de ser a de verdade. A de ser a escolhida pra viver uma história e não pra gozar ou rir em horários encaixados. A de correr o risco de cair de algum lugar muito alto e longo e precioso. Correr o risco de sentir e não brincar de sentir. De bancar uma história que não acaba quando o telefone toca. De conseguir amar, mesmo com o pavor que isso causa. De conseguir sorrir mesmo com tanta raiva e ódio de amar. Mas agora, nossa ! Que saudade de ser sempre a divertida. Agora, sou assim, assustada, sem saber o que fazer, como pensar.Enlouquecendo.
Aaaa qer saber?Desculpa. Desculpa garota que sempre estava do outro lado do telefone. Eu era mesmo uma puta, piranha, vaca, vagabunda. Mas agora, sou só a mesma imbecil que você. Que todo mundo. Porque quem disse que eu não preferia continuar fugindo do amor? Mas ele vem, ele chega, invade, grita por comida, te enche o saco, fede fumaça, mas é lindo, é a melhor coisa do mundo. Faz tudo valer. Faz você se quebrar inteira pra colar de novo de um jeito possível de relacionar. Dói tipo nascer, e eu sei disso mesmo não lembrando. Agora vivo eu aqui com o meu dilema, prosseguir com algo que não sei mais viver sem, ou aprender a ser como eu era ?

Quer saber? Foda-se !

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