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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Querido Deus



Até agora o meu dia foi bom:
- Não fiz fofoca;
- Não perdi a paciência;
- Não fui gananciosa, sarcástica, rabugenta, chata e nem irônica;
- Controlei minha TPM;
- Não reclamei;
- Não praguejei;
- Não gritei;
- Não tive ataques de ciúmes;
- Não comi chocolate;
- Também não fiz débitos em meu cartão de crédito, nem dei cheques pré-datados;
Mas peço a sua proteção, Senhor, pois estou para levantar da cama a qualquer momento!
AMÉM!!!

Na próxima vida...



Na próxima vida vou pedir a Deus que volte um pouco mais cheinha, com mais curvas, um pouco mais atraente, um pouco menos confusa. Vou pedir a Ele cabelos lisos, barriga sarada, peitos salientes, sensualidade farta. Que o dinheiro seja abundante, assim como minhas vontades também são. E que os amigos sejam muitos, assim como hoje a minha solidão também é. 
Na próxima vida vou pedir a Deus que volte mais sábia, com conhecimentos de física e matemática, biologia e história da humanidade, geografia e línguas diversas. Vou pedir que meus conhecimentos em informática não se restrinjam a pesquisas no Google e Windows Media Player. Que minhas habilidades ultrapassem minha simpatia, e que minha simpatia seja minha maior habilidade. Que a minha inteligência não encontre barreiras, apenas degraus. E que a minha eloqüência seja admirável, e que o meu raciocínio me traga muitos troféus: de melhor aluna, de melhor profissional, de melhor qualquer coisa, porque qualquer coisa é melhor do que sou hoje.
Na próxima vida vou pedir a Deus que me permita conhecer o mundo, viajar de avião, navio, bicicleta se for o caso, mas que não me faça dependente de uma situação carente. Que minha única carência seja por viver e, para isso, que eu seja contemplada com muita saúde, e que a doença não me aconteça jamais, pois adoecer, dizem os sábios, é para as almas ainda em construção e eu, quero voltar totalmente construída, lapidada e concluída. Uma verdadeira obra prima.
Vou pedir a Deus que me permita o luxo, a vaidade e a preguiça, sem me preocupar com as necessidades alheias. Quero do bom e do melhor: carro do ano, comida orgânica, roupa da modelo que desfilou na passarela. Quero ser bonita in natura, não precisar de maquiagem, mas, se a usar, que seja pra ressaltar o que já é meu, o que já é dom. E quero poder desfrutar do tal ócio criativo, ir dormir tarde e acordar também tarde e ainda assim ter dinheiro no bolso, ter credibilidade com as pessoas, ter almoço pronto me esperando, e também ter um jantar de gala para ir, convidada exclusiva de um faz-de-conta sem fim.
Na próxima vida vou pedir a Deus que me dê asas de águia e um céu só pra mim, uma galáxia só pra mim, um universo inteiro só pra mim. Quero ser dona do planeta, mudar o que não me agrada, pegar pra mim o que me encanta, vender pros outros o que eu dispensar. E o que não, simplesmente descartar, sem que isso possa acarretar alterações ecológicas, climáticas ou psicológicas. No meu mundo, não há conseqüências. No meu mundo não há freqüências, nem de energia, nem de atitudes, principalmente as plausíveis. No meu mundo tudo faz parte de um painel compacto. Você olha e gosta. Ou desgosta. Não opina. Tampouco critica.
Mas se a próxima vida não chegar, nesta mesma vou pedir a Deus um pouco de piedade e paciência. Um pouco de compaixão e muito de sapiência. Porque a mim só foi ensinado querer e desejar. Mal-amar. Desamar. E com a mesma facilidade pedir, e não correr atrás, lutar ou brigar. Me sinto ameaçada por mim mesma. Um filme policial no qual não sei se torço pelo mocinho ou pelo bandido, pois sou os dois. Sou até a polícia, numa perseguição constante a que os intelectuais denominam de “eu”. Sou o roubo e o julgamento. A prisão e a soltura. Sou um erro querendo acertar, sou um acerto sem prêmios a estimular. Estimular a boa conduta, a qual eu suplico, a qual eu dispenso.